Autor: Roberto Corte (Espanha) Tradução: Rita Rodrigues Pereira Co-Edição: 101 Noites / Clube Português de Artes e Ideias Livro; 20x13,5cm; 56 páginas
Roberto Corte assalta-nos com um "poema cénico" que se entranha. Uma espécie de voragem autofágica que me sugere o olhar vazio das mulheres de Araki, os labirintos-armadilha de Escher, a desconstrução narrativa de Lynch. Tempo, espaço e acção sem unidade, sem regras.
Escrita semi-automática, veloz, onde a palavra tem o poder de ferir, de provocar o caos, de deixar uma marca indelével. Duas vozes irreconciliáveis, dissonantes, incapazes de coexistir. Uma espiral de tensão interior, uma busca incessante de alívio. Porque é disso que se trata. Agressor e vítima convergindo num ponto.
"Dissonância" implica sentirmo-nos cúmplices do pesadelo. Habitar duas mentes em simultâneo, num perigoso exercício esquizofrénico. Chegou o momento de conter a respiração e submergir. Alexandre Lyra Leite
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