Uma assembleia. Dois pontos de vista. De um lado o psicopata, o predador, incapaz de parar. Do outro a presa, a vítima, incapaz de esquecer. Entre eles o espaço do confronto, a palavra crua e brutal, a acção incompleta, a memória fragmentada. Uma descida ao universo obsessivo, entrópico, da violência sexual.
"Roberto Corte assalta-nos com um "poema cénico" que se entranha. Uma espécie de voragem autofágica que me sugere o olhar vazio das mulheres de Araki, os labirintos-armadilha de Escher, a desconstrução narrativa de Lynch. Tempo, espaço e acção sem unidade, sem regras.
Escrita semi-automática, veloz, onde a palavra tem o poder de ferir, de provocar o caos, de deixar uma marca indelével. Duas vozes irreconciliáveis, dissonantes, incapazes de coexistir. Uma espiral de tensão interior, uma busca incessante de alívio. Porque é disso que se trata. Agressor e vítima convergindo num ponto.
"Dissonância" implica sentirmo-nos cúmplices do pesadelo. Habitar duas mentes em simultâneo, num perigoso exercício esquizofrénico. Chegou o momento de conter a respiração e submergir."
Alexandre Lyra Leite
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texto Roberto Corte tradução Rita Rodrigues Pereira encenação Alexandre Lyra Leite interpretação Alfredo Nunes, Raquel Dias música Ok.suitcase assistência de encenação Rita Rodrigues Pereira consultor Hélder Soares direcção técnica Rui Costa, Vasco Soares design gráfico Paulo Borges direcção artística Alexandre Lyra Leite produção executiva Catarina Pedro produção Inestética ct 2002 agradecimentos Sandra Simões, Paulo Gouveia, 101noites, Teatro Praga, Hospital Miguel Bombarda
drama | M/18 | 1:00h
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